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quinta-feira, 24 de abril de 2008

Onde tudo começou...

É meus amigos...este blog obviamente foi motivado pelo fato de que em 2008 se completam 40 anos do tão comentado 1968. Mas por que tão comentado? Aqui no Brasil, por causa do livro 1968: o Ano Que não Terminou, de Zuenir Ventura.

Depois de amanhã, dia 26/04, a Editora Planeta vai lançar um box chamado 1968 Terminou?, que trará, entre outras coisas, além do livro originalmente publicado em 1987, entrevistas com FHC, Fernando Gabeira e José Dirceu e o livro 1968: O Que Fizemos de Nós. A caixa no site americanas.com custa R$59,90 . Um preço justo pela qualidade do produto.

Para Carlos Fuentes, autor já citado aqui no blog, 1968 foi "um desses anos-constelação nos quais, sem razão imediatamente explicável, coincidem fatos, movimentos e personalidades inesperadas e separadas no espaço".

Para Zuenir, o ano de 68 teve uma particularidade ainda não repetida nestes 40 anos que já passaram. "Acho que foi a primeira manifestação da globalização antes mesmo de a globalização existir. É um mistério na história, ninguém conseguiu responder até hoje como começou, por que começou naquele ano". Portanto, quem viveu viu, quem não viveu pode (re)ler.

terça-feira, 8 de abril de 2008

O amor de Zuenir

No final dessa semana, os leitores do blog conhecerão mais sobre Hélio Pellegrino e sua importância no ano de 1968, tanto ao Rio de Janeiro, quanto ao Brasil.

Enquanto isso, hoje conto de uma prova de amor de Zuenir Ventura. Hélio, como os leitores descobrirão, despertava um amor imenso e sincero em muitas figuras hoje mais conhecidas do que ele (infelizmente). Um bom exemplo é Nelson Rodrigues, que almoçava em sua casa todos os sábados, durante anos. Ruy Castro, seu biógrafo, afirma que Otto Lara Resende era o amigo que Nelson mais admirava e Hélio, o que ele mais amava.

Zuenir Ventura e Hélio se conheciam de vista, mas se tornaram realmente amigos quando estiveram presos durante alguns meses, entre o final de dezembro de 1968 e março de 69. Apesar de ser uma situação inusitada para o começo de uma amizade, foi o contato diário -- eles dividiam cela -- que os tornou tão próximos (literalmente falando).

Nos agradecimentos de 1968: O ano que não terminou, Zuenir conta que o livro não tem prefácio porque seria escrito por Hélio, a pessoa que mais o estimulou a realizar o projeto. Pouco antes de morrer, Hélio lembraria de que nos tempos em que estiveram na cadeia, Zuenir havia o presenteado com Cem anos de solidão com uma dedicatória que ele repetiria para 1968:


"A Hélio,
um homem aberto com quem eu me fecho"


Acho que a dedicatória já demonstra por si só o amor de Zuenir.

 
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